Eu tenho medo de fantasmas!

22
ago
2011

Autor: Alexandre Castro

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Alexandre Castro

Quando estou sob efeito de drogas (aspirina, neosaldina, tilenol…), tenho certeza que vejo fantasmas. Não, ver é exagero! Se eu tivesse realmente visualizado um ser podre, se arrastando na minha frente, há uma hora dessas eu estaria esbugalhado, babando, morando num quartinho almofadado. Mas, eu sinto… Sinto a respiração úmida e gélida ao meu redor, ouço os passos, os sussurros… Percebo o olhar sinistro nas minhas costas…
 

 
Talvez, o depósito recorrente de medicamentos analgésicos (e calmantes) no organismo, acabe causando, através de um componente oculto específico, além de úlceras estomacais, essa reação adversa, que desenvolve a área cerebral responsável pela percepção extra-sensorial, abrindo o canal entre o ser humano vivente e o mundo desencarnado…
 
Claro, isso também pode ser esquizofrenia da minha parte! Mas penso tanto que chego ver cenas imaginárias geradas por medo de fantasma. E são algumas dessas cenas que contarei aqui:

Cena imaginária gerada por medo de fantasma número 01: É noite, e você se prepara para dormir escovando os dentes no banheiro. Abre o compartimento aonde ficam as escovas, e mantém ele assim até terminar o ato higiênico. Enquanto isso, imagina o que pode acontecer quando tiver que fechá-lo, caso a estrutura refratária do espelho mostre em seu reflexo uma imagem branca, semi-decomposta, com o olhar fixo na sua nuca, se preparando para possuir seu corpo mortal.
 

 
Cena imaginária gerada por medo de fantasma número 02: Saindo ileso da primeira situação, você se dirige ao seu quarto, tendo que para isso, passar por um longo corredor escuro, repleto de janelas que deixam passar mínimas quantidades de luz do luar. A sensação de estar sendo seguido é inevitável, e a caminhada que começa vagarosa e silenciosa, se acelera a medida que a espinha vai esfriando. As orelhas começam a tremer, e no meio do caminho, você sai correndo, sem nunca olhar para trás, imaginando as mãos da criatura semi decomposta, quase te alcançando.
 

 
Cena imaginária gerada por medo de fantasma número 03: Com a respiração arfante, você chega na porta do seu quarto, e pensa em abrí-la imediatamente, mas pára de súbito ao lembrar que as luzes lá dentro também estão apagadas, e alguma criatura semi-decomposta, de olhar sinistro, emitindo algum tipo de radiação pode ser vista sentada em sua cama, esperando pela sua entrada. Então, você, ainda com a porta entreaberta, tenta alcançar o interruptor, e ao começar a tatear a parede gelada, lembra que a mesma criatura que poderia estar sentada na cama, teria a possibilidade de alcançar seu braço em segundos. Um nervosismo incontrolável te assola, e o interruptor parece nunca ter existido, até que você o alcança, e as luzes se acendem.
 

 
Cena imaginária gerada por medo de fantasma número 04: Finalmente, você adentra o antro calmo, claro e seguro que é o seu quarto. Decide que deve dormir com a luzes acesas só esta noite, e se deita lentamente na cama, cobrindo todas as partes do seu corpo, inclusive a cabeça, afim de evitar qualquer contato com alguma criatura decomposta que pretenda te puxar para debaixo da cama, enquanto você dorme. Com os olhos fechados, a audição fica aguçada, e todos os mínimos barulhos ao redor, se parecem com passos, ou batidas violentas de um ser perturbado a procura de uma vítima. Seu coração se acelera mais e mais e, a cada som percebido, quando eles parecem muito próximos, você decide olhar em volta, tirando as cobertas de cima em um único pulo, como se fosse possível surpreender, ao invés de ser surpreendido. Nesse exato momento, a luz acaba. Pode ter sido pane elétrica, mas você só consegue pensar: FUUUUUUUUUUU…
 

 
Este post poderia ser uma reflexão sobre as situações clichês relacionadas ao medo do desconhecido, analisando se suas origens são instintivas ou manipuladas por contos antigos, ou, em termos atuais, pela indústria cinematográfica. Também poderia discutir os efeitos do cortisol na geração das sensações do medo no corpo humano, e como os hormônios opióides liberados após uma situação de extrema adrenalina, causam o prazer necessário para a existência de tantos filmes de terror.
 
Mas, como não entendo nada disso, a idéia é mostrar que todo mundo tem medos semelhantes quando se diz respeito a fantasmas… Mesmo quem diz que não tem! E que, mesmo assim, todo e qualquer grupo de amigos já terminou uma noite contando estórias sinistras que “já aconteceram com um amigo de um amigo meu”. Não é verdade? Deu medinho né??? rsrsrs!

Autor: Alexandre Castro

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